São tantos 12 de outubro

Gente, dia das crianças está chegando!

Recentemente postei no Stories do Instagram que ser adulto é poder ter e fazer o que a gente não podia quando criança. É poder realizar os próprios sonhos. Engraçado é como eu demorei para entender isso. Aliás, tem muitas coisas sobre a vida que eu demorei e ainda demoro para entender.

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Mas enfim, dia das crianças. É mais um dia feito para aumentar as vendas do comércio? Vamos ver. O deputado federal Galdino do Valle Filho elaborou o projeto de lei que estabelecia a data comemorativa do dia das crianças em 12 de outubro, isso lá em 1924 (daqui a pouco faz 100 anos!). Todavia, a data não foi um sucesso imediato. Passaram-se décadas até que o dia das crianças se tornasse o sucesso que é hoje, isso graças a uma “pequena” indústria de brinquedos chamada Estrela, que em 1955 lançou a campanha publicitária “Semana do Bebê Robusto”, que foi, é claro, um sucesso, e deu origem a outras semanas da criança, que continuam até os dias atuais. Então, apesar de ter sido criada por um político, o dia da criança só ganhou força quando o seu potencial comercial tomou forma e dominou o espaço.

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Isso quer dizer que acho que não devemos comemorar o dia das crianças? Eu nunca diria isso. Só espero que não seja somente um dia de dar presente para criança, mas sim um dia de passar mais tempo com a criança, de ouvi-la, e apoiá-la.

E também um dia de cuidar de sua criança interior.

Até a semana que vem (espero ter terminado um livro para poder falar sobre ele).

Vera Fran

Fonte sobre o dia das crianças: Brasil Escola

 

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Planos, planner, planos

Pra começar, mais um post atrasado. Desculpa! Acho que talvez seja melhor mudar o dia ‘oficial’ de postagem, não sei, mas terça-feira parece um dia tão bom! É o dia em que os livros são lançados, então é um dia de palavra escrita.

Anyway, eu tinha preparado um texto curto sobre um filme que assisti no último fim de semana, mas vai ficar pra próxima (ou um post extra, já que o texto é curto e o filme não é uma obra prima). Hoje eu quero falar sobre algo que tem muita vez com minha autoestima e meu auto conhecimento, e talvez possa ressoar com outras pessoas pelo mundo afora.

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Eu cresci pobre. Pobre do tipo cresci em comunidade carente, estudei em escola pública, vendia Avon pra tentar descolar um trocado mas acaba gastando mais do que ganhava. Pobre.

Também cresci sem grandes talentos artísticos. Mal sei fazer uma linha reta mesmo usando régua, minha letra muda a cada cinco palavras, meus desenhos são toscos. Apesar disso, eu amor coisas coloridas e artísticas. Me apaixonei pelas pinturas de Van Gogh desde a primeira vez que as vi em um livro, já fui a uma exposição de reproduções delas e foi maravilhoso. Monet também me fascina. Enfim, sou fã do Impressionismo.

Na minha adolescência (final dos anos 80/início dos anos 90) eu comprava agenda todo ano. Como eu queria uma agenda toda colorida, desenhada e enfeitada! Infelizmente, eu acabava desistindo nos primeiros meses porque eu não tinha o talento e a criatividade para fazer artigos, e não tinha dinheiro pra comprar os estojões de caneta colorida e lápis de cor, nem cartelas e mais cartelas de adesivos. Assim, entediada e entristecida com a minha falta de recursos, ano após ano abandonava as agendas.

Aí, cresci, e com o tempo, passei a ter uma condição financeira que me permitiria ter essas coisas que talvez ajudassem a despertar minha criatividade, mas aí já era adulta, e adulto não faz essas coisas, né? Uma agenda de adulto é pra colocar seus compromissos, suas listas de afazeres e etc. Coisa séria. Coisa de gente grande. No fundo, porém, aquele sonho e desejo de cor e de embarcar na tentativa e erro, de ser meio menininha, nunca morreu. E agora, tantas décadas depois, decidi mandar às favas as convenções sociais e culturais e decidi que posso ter meu lado menina, sim! O razoavelmente recente sucesso dos daily planners e bullet journals foi como um sol surgindo em meio às nuvens.

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Não importa que eu “não tenho mais idade pra isso”. Não é pro mundo, é pra mim. É pra me fazer feliz. Assim, tomei coragem e encomendei meu primeiro daily planner na Paperview. Ele chegou esta semana e já escrevi, já colori, já errei, já meio que consertei usando um tanto de criatividade e crafting. Estou vivendo um sonho. E olhando as páginas com a minha letra esquisita, meus desenhos tortos, meus adesivos fofos (que comprei enquanto aguardava a chegada do planner) só posso dizer uma coisa: Estou feliz, e é isso que importa.

Beijos e até o próximo post,

Vera Fran

Fonte das imagens: 1, 2

Note esta nota

Não foi minha intenção não postar esta semana. Cheguei a preparar um esboço mas a verdade é que foi uma semana exaustiva. Quando vi, já era Quinta à noite, aí ainda pensei em postar mas acabei dormindo.

Não foi uma semana fácil. Ando questionando muito a mim mesma, os porquês e os para que de tudo o que tenho feito ultimamente, as razões por trás das obsessões atuais.

Também não foi uma semana fácil Brasil e mundo afora. Violência, desvalorização da mulher, da justiça e do bom senso. O mundo, no geral, não sabe o que é empatia, não consegue se colocar no lugar do outro. Enquanto for assim, injustiças continuarão sendo feitas, muitos continuarão saindo impunes e mulheres vítimas continuarão vendo recair sobre si o ônus da violência cometida contra si.

Eu falei que a semana não tinha sido fácil.

Fiquem com um gif e a esperança de que vai melhorar.

Vera Fran

Os Imortalistas estão chegando

Há alguns meses atrás, acho que entre maio e junho, o Tonight Show lançou seu primeiro book club. A equipe do programa pré-selecionou cinco livros e o público escolheu Children of Blood and Bone, de Tomi Adeyemi, que, aliás,  sairá no Brasil em outubro como Filhos de Sangue e Osso pelo selo Fantástica Rocco.

Este post, porém, não é sobre o livro escolhido por aquele book club, mas sim sobre o que ficou em segundo lugar, The Immortalists, de Chloe Benjamin. Ainda no período da votação, me encantei pela sinopse e não teve jeito, tive que comprar esse romance no Kindle.

O livro tem como base uma premissa interessante: se você soubesse (ou pensasse saber) a data exata de sua morte, isso afetaria a sua maneira de viver a vida?

No livro, quatro irmãos pertencentes a cultura judaica vão, num dia quente de verão do ano de 1969, ao encontro de uma mulher mística que, segundo dizem, é capaz de dizer a qualquer um a data de sua morte.

Os irmãos Simon, Klara, Daniel e Varya Gold, entediados por estarem dentro de seu pequeno apartamento, e sofrendo com o calor nova-iorquino, saem em busca da tal mulher mística. O encontro com ela trará mudanças que afetarão o resto de suas vidas.

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O livro divide-se em quatro partes, cada uma dedicada a um dos irmãos, com seus segredos, seus conflitos, suas escolhas e a forma como lidaram com a desconcertante possibilidade de saber quando iriam morrer. Cada parte é extremamente rica e única, refletindo a personalidade de seu personagem central.

Aqui um toque: a primeira parte tem cenas um pouco explícitas, mas não gratuitas. Tudo está lá para compor o retrato do irmão Gold em questão e o panorama de sua vida. Tudo se encaixa.

A história é narrada com delicadeza, questionando sempre se o futuro trata-se de destino ou escolha.

Um outro ponto a ressaltar é o uso das diversas tradições judaicas, expandindo os horizontes do leitor.

Como eu disse, li no original, mas fiquei muito feliz ao saber que o livro foi lançado no Brasil pela editora HarperCollins Brasil com o título Os Imortalistas, mantendo a linda arte de capa original. Infelizmente, não sei dizer como ficou a tradução. Quem sabe eu não leia novamente no futuro, desta vez em português?

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Resumindo: se você procura um livro que vá te fazer sentir as mais diversas emoções, este livro pode ser pra você.

Nota: 4/5

Vejo vocês semana que vem.

Vera Fran

Fontes das imagens: 1, 2.

Stanley Kubrick e a fotografia ou como eu finalmente assisti O Iluminado

Já começo dizendo que não sou especialista em Stanley Kubrick. Dos filmes que ele dirigiu, assisti Nascido Para Matar, De Olhos Bem Fechados, Laranja Mecânica e, mais recentemente, O Iluminado, razão pela qual resolvi escrever este post e quem sabe dar um gás neste blog.

Tirando Nascido Para Matar, pelo simples fato de me lembro muito pouco dele, acho a fotografia dos filmes esplêndidas e muito coerentes entre si.

De Olhos Bem Fechados e O Iluminado são um banquete de cores que tornam os cenários e o ambiente tão vivos quanto os personagens.

 

Em Laranja Mecânica ele foi mais comedido no uso das cores, porém, quando estas aparecem, transformam e transfiguram tudo ao seu redor. Elas são personagens fundamentais para a narrativa.

Veja bem, eu não sou especialista em cinema, muito menos em fotografia (quem me dera), só sei do que fala comigo, do que me faz sentir.

A impressão que tenho é que a narrativa de Kubrick é bem controlada, quase minimalista, o que torna a fotografia e suas cores, ângulos e planos ainda mais impactantes.

Como o mais recente que assisti foi O Iluminado, na minha mais nova ambição de assistir filmes que são considerados clássicos e melhores de todos os tempos, pude ver várias idéias que vem sendo reutilizadas e reinterpretadas nos mais diversos filmes. o final, por exemplo, hoje já se tornou um clichê de filme de terror, mas como disse um crítico (acho que foi o Otávio Ugá, mas não tenho certeza), se algo se tornou clichê é porque sabe-se que funciona.

Que outros filmes de Stanley Kubrick devo assistir? Já tentei 2001: Uma Odisséia No Espaço umas três ou quatro vezes, mas não consigo. Coisas da vida.

Bem, é isso.

Espero que tenham gostado desse meu retorno ao mundo blogueiro. O plano é postar uma vez por semana, preferencialmente às terças.

Críticas construtivas são bem vindas. Encorajamento também. Ofensas não. Nem preconceitos.

Vejos vocês semana que vem.

Ve Fran

 

Imagens by Giphy.

Tem alguém aí igual a mim?

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Photo by Jure Širić from Pexels

Existe valor e alegria na individualidade, não há dúvida nisso. Individualidade é, inclusive, fundamental para formarmos nosso eu e nos posicionarmos no mundo.

Por outro lado, ansiamos pela coletividade. É impossível ser feliz sozinho, já dizia o poeta Tom Jobim. Então, buscamos amigos, família, parceiros; pessoas com quem formamos laços e dividimos experiências. Cada um com sua individualidade, construindo o coletivo, o nosso micro cosmo, nossa zona de conforto.

Na internet me deparo com um fenômeno. Onde está a minha geração? Existem centenas de mulheres brilhantes na faixa dos 30 anos postando em blogs, Youtube, Twitter e Instagram. Mas onde estão as mulheres com mais de 40? Será que não temos nada a dizer, nada a oferecer, nada a compartilhar, a acrescentar? A internet começou a ganhar espaço na nossa juventude, então porque não encontro representantes da minha geração?

Estou há menos de 6 anos de chegar aos 50 mas não me sinto velha, pelo menos não quanto às ideias. As lutas são as mesmas, os preconceitos que sofro também. Não quero ser a tia, quero ser a irmã, a amiga, não importa a idade da pessoa que ler.

Então, tem alguém aí igual a mim?

Feliz Ano Novo e blog novo

2018 começou com uma energia diferente, uma esperança no ar que muitos de nós precisamos.

2017 foi um ano difícil. As coisas foram estranhas no micro e macrocosmos. Teve muita lágrima derramada e muito choro engasgado.

2018 chegou com um céu lindo, e com uma maneira mais leve de olhar o mundo.
Os problemas não desapareceram, mas a maneira de encará-los pode ser mudada. E esse é o meu propósito pra 2018.25037971_1248915358543875_1372325717034926080_n